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segunda-feira, 31 de março de 2014

"31 de Março - 2: De como o mensalão, os aloprados e o assalto à Petrobras nasceram com Marighella, Lamarca e afins…"



Por Reinaldo Azevedo
Na minha coluna de sexta, na Folha, escrevi um texto sobre 1964, que reproduzirei abaixo, na íntegra, o que nunca faço aqui. Impressiona-me a incapacidade de alguns grupos de ler o que está escrito, preferindo o que não está.
O texto tem, sim, uma tese: sustento que toda essa discurseira sobre o golpe militar de 1964 busca se apropriar do passado para garantir posições e conquistas do presente. E me ocorreu, então, indagar se o país fez o mesmo com o Estado Novo, por exemplo, a ditadura de Getúlio Vargas, que foi mais brutal, discricionária e assassina do que a militar.
Não faço uma "comparação de ditaduras" para escolher a melhor. É preciso ser burro ou canalha para fazer essa leitura. Tampouco sugiro que a ditadura militar foi bolinho, tranquila, nada disso! Lembro é outra coisa: em 1987, em vez de ficar reciclando os ódios de 1937, o Brasil estava fazendo a sua Constituinte, ora! Em 1995, em vez cuidar dos 50 anos do fim do Estado Novo, estávamos empenhados em garantir o futuro do Plano Real.
E deixei claro: estou preocupado é com o país daqui a 50 anos, com 2064, não com 1964. Segue o texto na íntegra.
*
1964 já era! Viva 2064!
1964 já era! Tenho saudade é de 2064! Os historiadores podem e devem se interessar pelos eventos de há 50 anos, mas só oportunistas querem encruar a história, vivendo-a como revanche. Enfara-me a arqueologia vigarista. Trata-se de uma farsa política, intelectual e jurídica, que busca arrancar do mundo dos mortos vantagens objetivas no mundo dos vivos.
A semente do mensalão está nos delírios do Araguaia. O dossiê dos aloprados foi forjado pela turma que roubou o "Cofre do Adhemar". Os assaltos à Petrobras foram planejados pelas homicidas VAR-Palmares, de Dilma, e ALN, de Marighella. A privatização do passado garante, em suma, lugares de poder no presente e no futuro. Os farsantes apelam à mitologia para reivindicar o exclusivismo moral que justifica seus crimes de hoje. Ladrões se ancoram na gesta da libertação dos oprimidos. Uma solene banana para eles, com seus punhos cerrados e seus bolsos cheios!
Quem falava em nome dos valores democráticos em 1964? Os que rasgaram de vez a Constituição ou os que a rasgavam um pouco por dia? Exibam um texto, um só, das esquerdas de então que defendesse a democracia como um valor em si. Uma musiquinha do CPC da UNE para ilustrar: "Ah, ah, democracia! Que bela fantasia!/ Cadê a democracia se a barriga está vazia?" Para bom entendedor, uma oração subordinada basta. A resposta matou mais de 100 milhões só de… fome!
Nota desnecessária em tempos menos broncos: respeito a disposição dos que querem encontrar seus mortos. Eu não desistiria enquanto forças tivesse. Mas não lhes concedo a legitimidade, menos ainda a alguns prosélitos disfarçados de juristas, para violar as regras do estado de direito. A anistia, por exemplo, não está consignada apenas na Lei 6.683. O perdão - não o esquecimento - é também o pressuposto da Emenda Constitucional nº 26 (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-revisao-da-anistia-todas-as-leis-que-sete-procuradores-tem-a-ousadia-de-querer-ignorar-%E2%80%94-alem-claro-de-tentar-chutar-o-traseiro-do-supremo/), de 1985, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Vamos declarar sem efeito o texto que nos deu a nova Constituição? A pressão em favor da revogação da anistia e a conversão da Comissão da Verdade - se estatal, ela é necessariamente mentirosa - num tribunal informal da história ignoram os pactos sobre os quais se firmaram a pacificação política do país.
Digam-me: onde estávamos em 1985? Revivendo a repressão de 1935, que se seguiu à "Intentona Comunista"? E em 1987? Maldizendo os 50 anos do Estado Novo? E em 1995, celebrando o seu fim? Estado Novo? Eis a ditadura que os “progressistas” apagaram da memória. Um tirano como Getúlio Vargas foi recuperado pelas esquerdas para a galeria dos heróis do anti-imperialismo e serve de marco, segundo os pensadores amadores, para distinguir "demófobos" de "demófilos".
Ilustro rapidamente. Entre novembro de 1935 e maio de 1937, só no Rio, foram detidas 7.056 pessoas. Todas as garantias individuais estavam suspensas. Dois navios de guerra foram improvisados como presídios. Em 1936, criou-se o Tribunal de Segurança Nacional, que condenou mais de 4 mil pessoas - Monteiro Lobato entre elas. Mais de 10 mil foram processadas. A Constituição de 1937 previa a pena de morte para quem tentasse "subverter por meios violentos a ordem política e social". Leiam o decreto nº 428, de 1938, para saber como era um julgamento de acusados de crime político. Kim Jong-un ficaria corado. A tortura se generalizou. No assalto ao Palácio da Guanabara, promovido por integralistas em maio de 1938, oito pessoas presas, desarmadas e rendidas foram assassinadas a sangue frio, no jardim, sem julgamento, por Benjamin e Serafim Vargas, respectivamente irmão e sobrinho de Getúlio. No dia 9 de novembro de 1943, a Polícia Especial enfrentou a tiros uma passeata de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, com duas vítimas fatais. Tudo indica que os mortos e desaparecidos do Estado Novo, sem guerrilha nem ataques terroristas, superaram em muito os do regime militar. Nunca se fez essa contabilidade. Nesse caso, a disputa pelo presente e pelo futuro pedia que se escondessem os cadáveres.
Getúlio virou um divisor de águas ideológicas na história inventada pelos comunistas, oportunistas e palermas e é o pai intelectual de João Goulart, o golpista incompetente deposto em 1964. Antes como agora, "eles" sabem como transformar em heróis seus assassinos. A arqueologia do golpe é um golpe contra o futuro. Viva 2064!
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"

Vídeo de Bolsonaro



O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) promete celebrar o aniversário da ditadura divulgando vídeo "com personagens de esquerda que, com desassombro, confessam execuções sumárias, assaltos e sequestros".
Fonte: Cláudio Humberto

Ponto Facultativo na Micareta



Através do Decreto Nº 9.201, de 28 de março de 2014, o prefeito José Ronaldo de Carvalho instituiu Ponto Facultativo nas repartições públicas municipais, alterando o horário de expediente no dia 24 de abril (quinta-feira), que será ininterrupto das 7 às 13 horas; estabelecendo o ponto facultativo nos dias 25 de abril (sexta-feira) e 28 de abril (segunda-feira, pela manhã); e alterando o expediente de 28 de abril, que será ininterrupto das 14 às 18 horas.

Horários excepcionais na Micareta

Considerando a programação da Micareta, entre 24 e 27 de abril, através do Decreto Nº 9.200, de 28 de março de 2014, o prefeito José Ronaldo de Carvalho autoriza o funcionamento de estabelecimentos comerciais em horários excepcionais no período:
Quinta-feira, 24
- Comércio – horário normal
- Shopping – Horário normal
- Supermercados – Horário Normal
Sexta-feira, 25
- Comércio – Horário normal
- Shopping – Das 10 às 20 horas
- Supermercados – Horário Normal
Sábado, 26
- Comércio – Fechado
- Shopping – Das 10 às 16 horas
- Supermercados – Das 7 às 20 horas
Domingo, 27
- Comércio - Fechado
- Shopping – Fechado
- Supermercados – Fechados
Segunda-feira, 28
- Comércio – A partir das 12 horas
- Shopping – A partir das 10 horas
- Supermercados – A partir das 8 horas.

Deu em Claudio Humberto


domingo, 30 de março de 2014

A charge do Amarildo



Fonte: "Blog do Noblat"

"Impróprio para menores"



Por Mary Zaidan

Governante algum gosta de ter uma CPI futucando seus podres. Muito menos em ano de eleição. Portanto, é natural que a presidente Dilma Rousseff e aqueles que ainda lhe são fiéis tentem evitar a investigação congressual das imoralidades bilionárias cometidas contra a Petrobras e o País. Mas seria aconselhável contrapor-se às apurações com alguma decência, dispensando ameaças tolas e explicações que não explicam.
Dizer que a operação e os valores pornográficos, de U$ 1,18 bilhão, pagos por Pasadena estão sendo investigados pelas autoridades competentes, como fez o recém-nomeado ministro Ricardo Berzoini, só piora as coisas. É desfaçatez pura.
Oito anos se passaram para que as tais “autoridades competentes” se tocassem que deviam questionar uma compra sabidamente lesiva. Uma transação para lá de estranha, firmada em tempo recorde de 20 dias e aprovada pelo Conselho de Administração da empresa a partir de um resumo tosco de duas páginas e meia. Parecer “falho” e “incompleto”, como confessou agora a presidente Dilma, na época ministra de Lula e presidente do Conselho.
O mais provável é que nenhuma dessas "autoridades" se mexesse sem que os jornalistas Andreza Matais, Murilo Rodrigues Alves e Fábio Fabrini, de O Estado de S. Paulo, escancarassem os descalabros. Continuariam sem se coçar não fosse a pressão da imprensa, que a cada dia expõe mais pedaços dessa história escabrosa.
É conveniente saber ainda quais "autoridades" apuram os danos provocados pela intimidade entre o ex Lula e Hugo Chávez, que, em acordo informal, quase de boca, impuseram à Petrobras o desembolso de R$ 20 bilhões na ainda incompleta refinaria Abreu e Lima (PE).
Traduzidas pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), as ameaças de combater a CPI ampliando o escopo das investigações só fizeram aumentar os impudores contra a petrolífera brasileira.
Espremido contra a parede, a única alternativa imaginada pelo governo foi a de investigar as licitações de trens em São Paulo e a construção do Porto de Suape. Manobra diversionista para tentar constranger o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O tiro pode sair pela culatra.
De duas, uma: ou o governo Dilma e o PT não creem em ilícitos nos dois casos ou compactuam com malfeitos. Do contrário, já poderiam ter usado a maioria que têm para instalar CPIs sobre os temas.
A terceira hipótese é que no afã de defender Dilma do que se tornou indefensável, meteram-se os pés pelas mãos.
Outros ainda vão vestir figurinos impróprios para tentar encobrir escândalos. Mas uma coisa é certa: de tão obscenas, as operações feitas dentro da aparelhada Petrobras podem deixar o governo nu. Que venha a CPI.
Fonte: "Blog do Noblat"

"Todo mundo que não gosta de Lula e Dilma é 'de direita'. E vai piorar. Esperem só a campanha eleitoral começar"



Por J. R. Guzzo
O governo do Brasil criou uma certeza nos últimos onze anos. Está absolutamente convencido de que o fato de ganhar eleições lhe dá, automaticamente, razão em tudo; não pensa, nunca, que o eleito representa todos, e não apenas os que são a seu favor.
Exatamente ao mesmo tempo, acha que quem discorda do governo está errado por princípio. É como na religião - se você não tem a mesma fé do vizinho, jamais pode ter razão em nada. É um herético que está desafiando a vontade de Deus, e um inimigo que tem de ser destruído.
O problema é que existe aí uma séria encrenca com os fatos, essa praga que só atrapalha o conforto das ideias prontas - o Brasil, infelizmente para o governo, o PT e seus profetas, tem heréticos demais.
Fazer o quê? O diabo, além de estar nos detalhes, está nos números. No caso das eleições para presidente em 2010, a última medição objetiva sobre quem está a favor e quem está contra o governo, a aritmética prova que ninguém é muito maior que ninguém.
No segundo turno da eleição, Dilma teve 55.700.000 votos e José Serra ficou com 43.700.000; obviamente não dá para fazer de conta que os votos do perdedor não existem. Na verdade, já é um assombro que Serra, tido como um dos candidatos menos atraentes do planeta, tenha conseguido esses espantosos 43,7 milhões de votos; positivamente algo não deu certo do outro lado.
Além disso, mais de 29 milhões de eleitores nem foram votar, e outros 7 milhões preferiram ficar nos nulos e brancos - ou seja, 36 milhões de cidadãos simplesmente não votaram em ninguém. Resumo da ópera: de um eleitorado total de 135 milhões de pessoas, 80 milhões não votaram em Dilma.
Ficamos, assim, na curiosa situação em que a maioria dos eleitores é considerada pelo governo como inimiga da vontade popular - se não estão com a gente, reza o seu evangelho, só podem estar do lado do mal.
Lula, Dilma e sua máquina de propaganda, ao que parece, resolveram lidar com esse despropósito inventando um modelo de adversário fabricado na sua imaginação. "O ódio que alguns têm de nós é ver a filha da empregada cursando uma universidade federal", disse Lula ainda há pouco.
Mas por que raios alguém haveria de se importar com isso? Quem vai se prejudicar se a filha da empregada estiver numa universidade federal? Ou estadual? Ou particular? Por que ficaria com "ódio"?
Lula sabe muito bem que tudo isso é pura invenção. Mas sabe também que a mentira viaja de Ferrari, enquanto a verdade vai a lombo de burro; passa 100 vezes pelo mesmo lugar antes que a verdade tenha conseguido chegar lá, e nesse meio-tempo falsifica até a regra de três.
Dilma faz a mesma coisa com menos talento. Outro dia veio com a história de que só criticam a estratégia social do governo os que "nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama, um colchão". Como é mesmo? Todo mundo, ou 999 em cada 1.000 brasileiros, tem de trabalhar para comprar qualquer dessas coisas, já que nenhuma delas é dada de graça a ninguém. Mas e daí?
O que interessa é vender a ficção de que só o governo é capaz de ajudar os pobres - e só pode discordar disso quem nunca trabalhou na vida.
Essa montanha de dinheiro falso é engolida com casca e tudo no Brasil de hoje - e, conforme o caso, há uma conta a pagar por quem não engole. O caso do músico João Luiz Woerdenbag Filho, 56 anos, natural do Rio de Janeiro, conhecido do público como Lobão e autor de uma coluna nesta revista, é um clássico.
Lobão foi colocado no banco dos réus do Tribunal de Inquisição formado na classe artística para decidir o que é o bem e o mal no Brasil, e até hoje não conseguiu se levantar. É acusado do delito de ter se vendido "à direita" ou apenas de ser "de direita" - coisa esquisita, porque se imagina que ele teria o pleno direito, pela Constituição, de ser de direita - ou de esquerda, ou seja lá do que lhe desse na telha.
O que o resto do mundo tem a ver com isso?
Mas Lobão é um artista de fama, e um artista de fama não tem direito à liberdade de pensamento e de expressão se ganhar o selo de "direitista". Na verdade, no Brasil de hoje nem se sabe o que é ser "de direita"; nossos juristas diriam que o crime de "direitismo" ainda não está bem "tipificado". Tanto faz.
Para a polícia política do PT, é criminoso de direita todo sujeito que disser às claras que não gosta de Lula, nem de Dilma, nem da sua inépcia, nem do PT, nem do governo, nem do "projeto" do petismo, nem dos seus melhores amigos, que vão de Collor a Maluf.
Esperem a campanha começar.
Fonte: "Veja"

"É claro que Pasadena é um caso de política, mas é inegável que é, sobretudo, um caso de polícia. Ou: A resposta de Gabrielli a este blog há um ano e três meses"



Por Reinaldo Azevedo
Não tem jeito: a cada enxadada, uma minhoca. Raia o dia, e lá vem uma nova informação sobre a compra da refinaria de Pasadena que empurra mais e mais o caso para a esfera da polícia - embora, é evidente, ele seja também um caso de política. Ora, se é assim que a Petrobras executa as suas aquisições, e dado que um de seus mais importantes ex-diretores está na cadeia, a gente imagina o padrão de governança da empresa. Salvem a Petrobras antes que acabe! R$ 200 bilhões em valor de mercado já foram para o ralo da irresponsabilidade petista. O que sobrou é menos da metade do que havia há três anos. A Petrobras tem de ser devolvida a seus legítimos donos: o povo brasileiro, representado pelo Estado, e os acionistas minoritários, que estão sendo logrados.
Como já se sabe, os próprios belgas da Astra, ao vender a primeira metade da refinaria à Petrobras, saudaram o negócio excepcional e o ganho acima de qualquer expectativa. Na Folha deste sábado, há uma reportagem sobre os desentendimentos entre a Astra e a Petrobras. Reproduzo trecho (em vermelho) do texto de Isabel Fleck, Raquel Landim e David Friedlander. Volto em seguida.
Os executivos da Petrobras faziam muita "besteira", eram "extravagantes" nos gastos e qualquer decisão levava "10 vezes mais tempo que o necessário". Era assim que os belgas da Astra se referiam aos seus sócios brasileiros na refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).
Os comentários pejorativos de Mike Winget, presidente da Astra, e seu diretor de operações, Terry Hammer, aparecem numa troca de e-mails com outras cinco pessoas da equipe, datada de 2 de novembro de 2007 e obtida pela Folha na Justiça do Texas.
Retomo
O clima era beligerante, havia desentendimento entre os sócios, e os belgas decidiram, então, fazer valer a cláusula que obrigava a Petrobras comprar a outra metade. Até aí, bem. Num dos e-mails obtidos pela Folha, Winget escreve, referindo-se aos negociadores com os quais dialogava, que "não ficaria surpreso se a Petrobras já tiver se dado conta de que a refinaria não vale os US$ 650 milhões que eles [os negociadores brasileiros] sinalizaram".
Entenderam? Eles mesmos sabiam que a refinaria não valia aquilo tudo. Ao Congresso, no entanto, Graça Foster afirmou que as condições do mercado à época justificavam aquele preço. Nem os donos originais achavam isso!
Multa e passivo ambiental
Reportagem levada ao ar na noite desta sexta pelo Jornal Nacional evidencia que Pasadena ainda não parou de sangrar o cofre do Brasil. O Condado de Harrys acionou a refinaria na Justiça para receber uma multa US$ 6 milhões, soma de tudo o que ela deixou de recolher em impostos desde 2005, sem contar que, em 2012, o condado fechou com a Petrobras um acordo para o pagamento de uma multa de US$ 750 mil por causa da poluição do ar em anos anteriores. Rock Owens, que é advogado da área ambiental de Harrys, diz que o valor da venda da refinaria  chamou a atenção na época. Ele explica por quê: "Era a venda de uma refinaria velha a um preço premium que não deveria ter sido pago. E sem os reparos que recomendamos desde os anos 80, que não foram feitos".
Os sócios da Astra sabiam que a empresa não valia tudo aquilo; o advogado do Condado de Harrys sabia que a refinaria não valia tudo. Intuo que os diretores que realizaram a operação também soubessem, não é? O conselho, no entanto, foi levado no bico - e Dilma decidiu ignorar o assunto depois, como conselheira da Petrobras, como ministra e como presidente da República.
Mas a Petrobras não contratou consultoria? Pois é. Aí é preciso lembrar a reportagem do Globo que mostra que a avaliação foi feita às pressas, em apenas 20 dias. Os avaliadores contratados, da BDO Seidman, deixaram claro que não tiveram tempo de fazer o trabalho adequado e se eximem de eventuais problemas posteriores. Recomendam à Petrobras que faça, então, ela própria a avaliação. E a Petrobras fez. Sabem quem a ajudou? A então diretora financeira da Astra, Kari Burke. É do balacobaco!
Não por acaso, informa outra reportagem da Folha, "a análise [sobre o preço da refinaria] contemplava três cenários, com cinco situações em cada, nas condições em que se apresentava a refinaria na época. A mais conservadora estabelecia que Pasadena inteira custava US$ 582 milhões. A mais otimista atingia US$ 1,54 bilhão. Com o estudo na mão, Nestor Cerveró decidiu oferecer US$ 700 milhões por 50% do ativo. O fato de a oferta não corresponder à metade de nenhuma das cifras apresentadas no estudo chamou atenção da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que questionou a escolha de valores "aleatoriamente, sem comprovação, entre todos os cenários possíveis."
Entenderam? Foi Cerveró que ofereceu os US$ 700 milhões pela segunda metade - que depois acabaram se transformando em R$ 820,5 milhões. Aí, sim, a operação foi vetada pelo Conselho e teve início a disputa judicial. Dilma pode até explicar como foi enganada na condição de membro do conselho. A sua omissão posterior é que é inexplicável, com Cerveró assumindo a direção financeira da poderosa BR Distribuidora. Curiosamente, a presidente mandou demiti-lo antes de qualquer investigação.
Dá para entender por que o mercado se animou quando a oposição conseguiu o número de assinaturas no Senado para fazer a CPI da Petrobras. É a esperança de que uma comissão de inquérito contribua para botar ordem na bagunça. Como se nota, mais de uma vez, os próprios belgas se mostraram espantados - e até incrédulos - com a, por assim dizer, generosidade da Petrobras.
Durante um bom tempo, como sabem, este blog foi o único veículo a manter Pasadena na pauta. No dia 17 de dezembro de 2012,  informei aqui, o site Bahia Notícias publicava o seguinte (em vermelho):
O secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, esclareceu por meio de nota as afirmações feitas pelo colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo. Por meio de nota, a assessoria do titular da Seplan informa que a pauta "é requentada".
"Em novembro 2005, a Petrobras assinou um Memorando de Entendimento com a Astra Oil Company (Astra). Em setembro de 2006, a Companhia concluiu a aquisição através de sua subsidiária Petrobras America Inc. (PAI). Desentendimentos entre os sócios levaram a Astra a requerer o direito de vender seus 50%".
Segundo o documento, o valor foi acrescido de juros e outras atribuições durante o processo arbitral. "A Petrobras empenhou seus melhores esforços e obteve uma redução significativa no montante pleiteado pela Astra. Em junho de 2012, um acordo extrajudicial totalizou US$ 820 milhões. Parte desse montante, US$ 750 milhões, já vinha sendo provisionado, restando o complemento de provisão de US$ 70 milhões", diz a nota. "O acordo tornou a refinaria [de Passadena] um ativo negociável, ainda que não haja uma obrigatoriedade nem urgência em se desfazer da mesma", finaliza o comunicado.
Encerro
Até aquela data, Gabrielli achava que bastava arrogância para matar o assunto. Vejam quanta notícia tem rendido o "assunto requentado". Mais: segundo sustentou então, a Petrobras ainda havia conseguido uma "redução" (!!!) no valor da compra.
Um caso de política. Um caso de polícia.
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"

"Planalto retalia os aliados que apoiaram a CPI"



A pesquisa CNI/Ibope, mostrando queda brusca de 7 pontos na avaliação da presidenta Dilma, deixou o governo paralisado, em estado catatônico, incapaz de impedir a oposição de obter número suficiente de adesões para criar a CPI da Petrobras. Mas não tardou a reação aos que assinaram a CPI. O Palácio do Planalto orientou os ministros a tratar como adversários os "aliados" que apoiaram a comissão.
Medo de CPI
Quase imune a auditorias do TCU, desde o governo Lula, a Petrobras é usada para negócios que até Deus duvida. Daí o medo da CPI.
Lista negra
A relação de deputados e senadores pró-CPI virou "lista negra": todos serão tratados a pão e água, como diz Aloizio Mercadante (Casa Civil).
Pressão
Levantamento da Casa Civil verifica quantos cargos parlamentares pró-CPI da Petrobras têm no governo. Retiram assinatura ou vão perdê-los.
Barrado
Audiência do senador João Capiberibe (PSB-AP), que apoiou a CPI, foi cancelada quando ele já estava na antessala do ministro de Cidades.
Fonte: Cláudio Humberto

Deu em Claudio Humberto


sábado, 29 de março de 2014

Visão do clássico "A Dama de Shangai"




Na noite deste sábado, 28, a visão em DVD - mais um da minha coleção - do clássico film-noir "A Dama de Shangai" (The Lady of Shangai), de Orson Welles, 1948. Um grande filme.
Crime, drama e mistério estão no thriller. A trama, narrada por Michael O'Hara, personagem de Orson Welles, é uma história de conluios, enganos e surpresas, com personagens pecadores movidos por interesses escusos - avareza, chantagem, orgulho e sedução. Não tem redenção para nenhum.
O final do filme se passa em um parque de diversões. Na casa de espelhos, cenário onde a realidade se funde com a fantasia.
Curiosidades:
A sedutora Rita Hayworth (ela foi casada com Welles), como a mulher fatal do título, tem várias cenas em close-up. Ela canta "Please Don't Kiss Me".
Errol Flynn aparece em uma ponta, como um dos figurantes em cena num restaurante. O iate utilizado no filme pertencia ao ator.
O Brasil está presente no filme. O personagem de Orson Welles em narração faz referência ao país, falando em pescadores de Fortaleza - ele os havia conhecido em 1942. Então diplomata brasileiro, o poeta Vinícius de Moraes esteve no set de filmagem em 1947, acompanhado do cineasta brasileiro Alex Viany.
Assista ao trailer: http://youtu.be/hI2wheDpuNc

Deleite musical de qualidade



Mais uma noite de momentos inolvidáveis, a segunda do III Festival de Filarmônicas Princesa do Sertão, na sexta-feira, 27, com enlevo musical que lembrou tocatas e retretas na então praça da Matriz.
Sob a regência do maestro João Nilo Dias da Silva, a Sociedade Philarmônica Sangonçalense, de São Gonçalo, com 114 anos, iniciou seu concerto  com os dobrados "Antonio de Oliveira", de Heráclito Guerreiro, "São Gonçalo", de Valdemar da Paixão, e "Batista de Melo", de Antonino do Espírito Santo. Depois, executou o maxixe de Lourival Dias "Maxixe Sertanejo", o  samba "Tico-Tico no Fubá", de Casimiro de Abreu, e o bolero mexicano "Besame Mucho", clássico internacional da mexicana Consuelo Velásquez.
O deleite musical de qualidade foi completado com a apresentação da Sociedade Orféica Lyra Ceciliana, de Cachoeira, formada por 35 integrantes, a maioria jovens, que está completando 144 anos de existência - foi fundada em 13 de maio de 1870.
Com a regência do maestro Jairo dos Santos, executou os dobrados "Walter Silva", de Raimundo Nobre, e "José Rocha", de Estevão Moura, abrindo e fechando o concerto, além da marcha "Fase de Noivado", de Estevão Moura, polaca "Patativa do Recôncavo", de Indaiara Índio, "Desfile de Boleros", pot-pourri com arranjos de Antonio Franco, os mambos "Mambo Número 8", de Perez Prado, e "Novo Mambo", com arranjo de Manoel Ferreira.
A seleta plateia que prestigiou a terceira edição do Festival, espera as novas programações da Fundação Senhor dos Passos, sempre proporcionando a preservação da memória feirense.

Para que cota?



Por Sergio Oliveira
 Manchete do UOL de 27.03.2014: Câmara aprova projeto que reserva 20% de vagas para negros em concursos
Vamos exemplificar
Outra manchete de 27.03.0214,  do UOL:  Receita Federal do Brasil encerra, às 23h59 desta quinta-feira,27, prazo de inscrição para o concurso público que irá preencher 278 vagas no cargo de auditor-fiscal. A remuneração inicial é de R$ 14.965,44.
Aí:
Para concorrer, é preciso ser maior de 18 anos e ter diploma de curso superior (em qualquer área), em nível de graduação, com registro no Ministério da Educação.
Um(a) branco(a), ou um(a) negro(a), para se inscrever,  deve preencher o requisito de "ser maior de 18 anos e ter diploma de curso superior (em qualquer área), em nível de graduação, com registro no Ministério de Educação".
Por que, então, há, ou haveria, a necessidade de 20% de cotas para negros? Todos os inscritos que tiveram, ou terão, suas inscrições homologadas, não estarão disputando em igualdade de condições, já que a formação de todos eles é a mesma?
Sergio Oliveira, aposentado, é de Charqueadas-RS

Pesquisa que não dá para entender



Por Sergio Oliveira
A nova pesquisa CNI/Ibope de março de 2014
Primeira parte
Aprovação do governo Dilma:
Ótimo/bom: 36%; regular: 36%; ruim/péssimo: 27%; não sabe/não respondeu: 1%
Expectativa em relação ao restante do governo:
Ótimo/bom: 36%; regular: 31%; ruim/péssimo: 28%; não sabe/não respondeu: 4%; diferença de 1%
Aprovação da maneira de governar de Dilma:
Aprova: 51%; desaprova: 43%; não sabe/não respondeu: 6%
Confiança em Dilma?
Confia: 48%; não confia: 47%; não sabe/não respondeu: 5%
Aí vem a segunda parte, quando se refere às áreas de atuação, onde ela é desaprovada em todas, a saber:
Educação:
Aprova (32%); desaprova (65%); não sabe/não respondeu (2%); diferença (1%);
Saúde:
Aprova (21%); desaprova (77%); não sabe/não respondeu (2%);
Segurança pública:
Aprova (22%); desaprova (76%); não sabe/não respondeu (2%);
Combate à fome e à miséria:
Aprova (48%); desaprova (49%); não sabe/não respondeu (3%);
Combate ao desemprego:
Aprova (41%); desaprova (57%); não sabe/não respondeu (3%);
Meio ambiente: 
Aprova (41%); desaprova (54%); não sabe/não respondeu (5%);
Impostos:
Aprova (18%); desaprova (77%); não sabe/não respondeu (5%);
Combate à inflação:
Aprova (24%); desaprova (71%); não sabe/não respondeu (5%);
Taxa de juros:
Aprova (21%); desaprova (73%); não sabe/não respondeu (6%).
Somando-se os nove percentuais a de aprovação temos a soma de 267, que, dividida por nove, resulta em 29,67% de aprovação
Quanto à  desaprovação, a soma é 599, cuja divisão por nove resulta em 66,56% de desaprovação.
Não sabe/não respondeu: 33 + 1 da diferença do primeiro item = 34. Dividindo-se por nove resulta em 3,77%.
Somando: 29,67% + 66,56% + 3,77% = 100%.
E aí, mas uma vez questiono: as pessoas que responderam a segunda parte da pesquisa foram as mesmas da primeira parte? Não dá para entender.
Sergio Oliveira, aposentado, é de Charqueadas-RS