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sexta-feira, 29 de maio de 2026

A única grande empresa de Cuba beneficia militares e agrava crise alimentar

Em lugar de implantar o socialismo, como ainda acreditam os ingênuos, regime cubano criou um sistema obscuro voltado para sugar recursos.


Por Vilma Gryzinski:

Ironia das ironias: Cuba tem uma grande empresa voltada para o lucro, como no modelo capitalista, mas só para os chefões das Forças Armadas. O nome genérico, Grupo de Administração Empresarial S. A., ou Gaesa, obscurece o alcance e o controle exercidos sobre as atividades desse verdadeiro conglomerado, uma holding das sombras, com poder sobre todas as atividades que geram divisas, inclusive turismo, comércio exterior e as infames missões médicas no exterior.
É uma espécie de crime perfeito, pela total falta de transparência de suas atividades, responsáveis por bens no valor de 17,9 bilhões de dólares - pelos padrões cubanos, um bocado de dinheiro.
Segundo o Food Monitor Program, um observatório para acompanhar, no exterior, questões referentes à segurança alimentar em Cuba, a Gaesa contribui para a situação desesperadora dos cubanos em matéria de comida ao orientar para a exportação todos os recursos naturais com capacidade de gerar divisas. Também exerce o monopólio sobre a importação e a distribuição de alimentos. Ou seja, controla todo o ciclo alimentar.
Isso num país onde a produção de alimentos é um fracasso monumental. Cuba importa 80% da comida que consome, Nos últimos cinco anos, a produção agrícola caiu nada menos que 67%, segundo o Food Monitor Programa.
O balanço ainda não reflete a totalidade do desastre, agravado ao extremo pelo bloqueio americano à importação de combustíveis. A situação é tão extrema que não se pode dizer que Cuba tenha apagões, as quedas temporárias de fornecimento de energia. A exceção agora é ter luz.
ESTADO DE NECESSIDADE
O Gaesa foi criado nos anos noventa como forma de produzir recursos para as Forças Armadas Revolucionárias e se expandiu constantemente desde então, engolindo todas as atividades que geram dólares e já foi definido como um Estado paralelo, dominado, segundo especialistas, por um grupo de apenas 15 pessoas. É presidido por uma mulher, a general Ania Guillermina Lastres. Raúl Castro e sua grei são as figuras mais poderosas.
Terá uma voz importante na negociação de qualquer acordo com os Estados Unidos. O que exatamente querem os americanos não está claro. Uma pequena abertura, sem mudança estrutural no regime, como aconteceu na Venezuela? Uma reviravolta completa? É evidente que a pressão está aumentando.
Não existe em Cuba um Nicolás Maduro cuja captura induziria à colaboração de outras figuras do regime. É quase inconcebível que Raúl Castro fosse abduzido da mesma forma que o venezuelano - ele tem 94 anos e poucas perspectivas de durar muito mais. Capturar um ancião não pegaria bem em termos de imagem para os americanos.
O aumento das pressões sobre Cuba faz parte de um plano geral do governo Trump para a América Latina que inclui diminuir a presença da China, desarticular regime ditatoriais de esquerda e controlar as grandes organizações criminais, as mais poderosas do mundo. Até agora, a captura de Maduro foi a exceção; os americanos não mandaram mísseis para portos ou centros de processamento de drogas dos cartéis mexicanos, o principal objetivo do projeto de enquadrar como terroristas as gangues do narcotráfico. O mesmo debate que acontece no Brasil já foi feito no México, onde a situação continua praticamente a mesma: o cartéis mandam, os políticos fingem que os combatem e os americanos aumentam os prêmios pela captura dos chefões.
Cuba não tem o flagelo do narcotráfico, uma das poucas coisas boas do socialismo tropical. E tem a vantagem de estar próxima da grande quantidade de exilados nos Estados Unidos, cheios de projetos e de dólares para tirar o país da miséria em que o estelionato socialista a mergulhou. Só precisa combinar com os capitalistas do Gaesa.
O estado de extrema necessidade da maioria dos cubanos pode não deixar muita margem para negociação.

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