Por Reinaldo Azevedo
No Brasil, algumas coisas são santas, e, diante
delas, a gente deve se persignar: opiniões do Caetano Veloso, do Chico Buarque
e do Wagner Moura; defensores do aborto e da legalização dos drogas; os
apocalípticos do aquecimento global e inimigos do agronegócio; os militantes em
favor da ampliação das reservas indígenas (que já ocupam 13% do território
nacional, para abrigar menos de 600 mil índios - uma parcela dos que se
identificam assim não vive em reservas) e, deixem-me ver… Lembrei! É preciso
também curtir "aquele japonês" de vez em quando - refiro-me a um restaurante,
claro! Se a ideia de comer peixe cru com nabo ralado não excita a sua
inteligência, meu amigo, é inútil esperar que seja o paladar a fazê-lo. E é
preciso também chamar todos esses burgueses dos capital alheio, que atendem
pelo nome de "movimentos sociais", de "defensores da democracia".
Os movimentos sociais, com algumas exceções, são
apenas uma das fachadas de um partido político - no caso, o PT. As exceções
ficam por conta dos movimentos sociais que são fachada do Psol, do PSTU e de
outros menos cotados e votados. Vale também para boa parte dos sindicatos.
Vejam o caso da deputada estadual Janira Rocha, do Psol do Rio. A valente
confessa que usou dinheiro do Sindsprevi para financiar a sua campanha
eleitoral, a campanha eleitoral de outros colegas de legenda e para criar o
próprio partido. Mas isso tudo a propósito de quê?
O quadrilheiro José Dirceu, também condenado como
corruptor, reuniu nesta quinta-feira, no salão de festas do prédio em que mora, uma
legião de bravos. Estavam lá para assistir à sessão do STF, assim como pessoas
de bem se encontram para acompanhar a premiação do Oscar ou os jogos da Seleção
durante a Copa do Mundo. Compareceram, além de familiares e ex-mulheres, o
escritor Fernando Morais, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, a diretora
de cinema Tata Amaral, a jornalista Hildegard Angel, o deputado estadual
Adriano Diogo (PT), o ex-prefeito petista de Osasco Emídio de Souza, o crítico
de cinema Jean-Claude Bernardet e, não podiam faltar, o presidente da CUT,
Vagner Freitas, e o chefão do MST, João Pedro Stedile. Este vive meio às turras
com o PT e o governo Dilma, mas não é burro.
Que fauna curiosa! Tirem dali os sindicalistas que
sempre foram tentáculos do PT e os que costumam depender da boa vontade de
verbas púbicas para existir (Stedile inclusive) e vejam o que sobra. Nada! Nem
mesmo os familiares e ex-mulheres podiam ser computados nesse resto
desinteressado, já que Dirceu, como é sabido, é a cornucópia que expele as
condições materiais que garantem à grei a vida confortável.
João Pedro Stedile, por intermédio do Levante
Popular da Juventude - que é, assim, uma espécie de "ala jovem e contemporânea" do MST; eles estão quase chegando à década de 60; com mais uns 40 anos, vão se
aproximar dos CPCs da UNE… -, promoveu dia desses uma manifestação em São Paulo
contra a Siemens e coisa e tal. Entendi. João Pedro Stedile põe os seus abduzidos
para protestar contra o que ainda é uma acusação de corrupção, mas vai prestar
à sua solidariedade a Dirceu, um condenado por corrupção ativa e formação de
quadrilha.
É a quadrilha dos patriotas.
Se Lewandowski tivesse conseguido liderar, nesta
quinta, o levante em favor da redução da pena de formação de quadrilha,
livrando Dirceu do regime fechado, haveria uma festa e declarações
grandiloquentes em favor da resistência. Se o julgamento tivesse acabado,
confirmando a pena que levará à prisão, então, cercado desses bravos, Dirceu se
declararia, como sugeriu que o fará, um preso político.
"Preso político" em regime democrático? Só conheço
duas modalidades: golpistas da democracia e terroristas. Considerando a
natureza do mensalão, talvez o marketing do martírio faça um insuspeitado
sentido: afinal, o mensalão foi mesmo uma tentativa de golpe.
Fonte: "Blog Reinaldo Azevedo"
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