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domingo, 5 de julho de 2020

Eu amo Feira

Amo essa cidade mesmo! Pra trabalhar e pra morar, não há igual. Aqui a gente tem qualidade de vida. De alguma maneira, mesmo sendo metrópole, ainda guarda em si um quê de cidade do interior, onde a gente conhece "todo mundo". Tem engarrafamento, mas tem saída por todo lugar. Tem memória em cada canto: das avenidas que carregaram diversas micaretas, aos botecos que presenciaram e presenciam tantas histórias! Tem corre-corre todo dia, mas mantém o privilégio de permitir que a gente vá em casa almoçar. Feira tem alma de várias cidades, das pessoas que chegaram ou passam todos os dias indo pra algum lugar. Feira tem o cidadão feirense, aquele que por muitas vezes reclama, mas ninguém mais há de reclamar. Porque a gente até pode falar alguma coisa, mas aiii de que quem não seja feirense e pense em falar.
Publicado no Facebook por Soraya Oliveira, publicitária e professora

Quando "espetáculo macabro" ocorreu em Feira de Santana

"Nem Lucas, o bandido famoso da Feira,
era capaz de tamanha miséria"
Em página no Facebook, há cerca de três anos, o professor Carlos Brito, garimpeiro da memória feirense, lembrou de fato ocorrido em Feira de Santana há 69 anos, em 1951, que ganhou alcance nacional com publicação de reportagem na revista "O Cruzeiro". Há relatos que também foi noticiado na British Broadcasting Corporation (BBC), emissora pública de rádio e televisão do Reino Unido, sediada em Londres.
"Profanadores de túmulos" foi o título dado por Odorico Tavares, dos Diários Associados na Bahia. No lide: "Um espetáculo macabro levado a efeito na cidade de Feira de Santana, Bahia, por cinco rapazes que, se intitulando 'existencialistas', violaram diversas sepulturas e transformaram crânios humanos em taças de vinho."
Odorico Tavares (1912-1980), jornalista, escritor e poeta, era pernambucano e em 1942 radicou-se em Salvador, onde a convite de Assis Chateaubriand dirigiu as empresas do conglomerado Diários e Emissoras Associados, que na Bahia possuía os jornais "Diário de Notícias" e "Estado da Bahia", a Rádio Sociedade da Bahia e, mais tarde, a TV Itapoan. Fez diversas reportagens para a revista "O Cruzeiro" - como esta em pauta.
O texto inicia com a citação do artigo 2328 do Código Canônico, que diz que "todo aquele que violar cadáver ou sepulcro com o fito de furto ou outro fim de caráter ilícito, seja punido com o interdito pessoal e seja, por esse fato, declarado infame, e sendo clérigo seja, além de penas acima referidas, deposto de suas funções".
"Pois é este artigo que a Cúria Arquidiocesana da Bahia invoca em aviso ao vigário geral de Feira de Santana, para que seja aplicado contra cinco jovens de famílias conhecidas naquele município. Eles violaram sepulcros para fins ilícitos e por isso serão declarados infames, serão afastados automaticamente da comunidade católica e não poderão receber sacramentos, entre eles o matrimônio, e nem têm direito de serem sepultados em cemitérios eclesiásticos."
Que fizeram eles?, questiona o jornalista. E relata que no sábado, 15 de setembro daquele ano, cinco jovens em Feira de Santana, "reuniram-se para a farra da semana e resolveram ir ao cemitério da Piedade. Segundo uns, declaravam-se existencialistas, tendo uma noção errônea da coisa: ser existencialista, para eles, é não levar complexos para casa, se há vontade para fazer que se faça, e, resolveram realizar a farra no cemitério. Para outros, já embriagados, os jovens resolveram homenagear um dos companheiros mortos e nada mais lógico do que as libações ao próprio túmulo do companheiro. O certo é que foram ao cemitério, lá entraram, violaram cerca de quinze sepulturas, quebrando as lajes mortuárias, abrindo os caixões, fazendo libações constatadas com as garrafas e os copos que encontraram junto das campas. Uma farra sinistra e que faria tremer os heróis do romantismo. Os manes de Alvares de Azevedo se levantaram sinistramente para assistir à lúgubre cena destes jovens de uma pacata cidade sertaneja, onde os costumes cristãos são rigorosamente mantidos, dentro de rígidos critérios. Ninguém os viu entrar e ninguém os viu sair. Mas saíram conduzindo cinco caveiras, quatro delas deixadas embrulhadas num pano, no jardim público. Com a quinta, demandaram ao Cassino Irajá, de Oscar Tabaréu (Oscar Marques), na zona do meretrício. E os presentes, já madrugada alta, tiveram, uns horrorizados e outros entusiasmados com a cena, de assistir aos jovens embriagados inteiramente, a lavar a caveira em vinho e aguardente e, em seguida, cada um deles tomar a sua bebedeira na mesma, que servia de copo. Houve protestos, mas a maioria dos presentes se entusiasmou com a coisa: que todos bebessem na própria caveira e fazendo em seguida dos orifícios oculares cinzeiros, porta-cigarros e nem sabemos que mais."
Quatro caveiras
Narra mais: "Pela manhã, já a notícia corria pela cidade. Foram encontradas as quatro caveiras no jardim público e o provedor da Santa Casa de Misericórdia comprovando a violação dos túmulos levou o fato ao conhecimento do delegado de Polícia, tenente Heitor de Sena Gomes. Este foi pessoalmente ao cemitério e constatou a monstruosidade: lápides partidas, ossadas expostas, pedras tumulares derrubadas, um atentados dos mais sinistros e dos mais monstruosos. 'Nem Lucas, o bandido famoso da Feira, era capaz de tamanha miséria', disse mais de um feirense, na sua indignação. O dono do cabaré foi à polícia e entregou o crânio, ao mesmo tempo que denunciava os rapazes responsáveis pela profanação. Estes já haviam fugido e as diligências policiais para os prender têm sido, até hoje, infrutíferas. Se as famílias estão receosas da represália contra semelhante profanação, há pais indignados". Um deles declarou ao repórter associados: "Se souber onde esteja meu filho o entregarei à Polícia".
"Se o direito canônico atinge os profanadores com a excomunhão, também o direito penal não o faz por menos. Tanto que, concluídas as diligências e o inquérito, a polícia solicitou a prisão preventiva para os criminosos, que foi decretada incontinenti pelo juiz de Direito Dr. Cândido Colombo de Cerqueira, que na sua sentença diz:
'A prova material do delito está nos autos, está no conhecimento da população. Quem sejam os autores do atentado, no-lo dizem as testemunhas ouvidas, o público os aponta. Eles próprios, abandonando o distrito da culpa, denunciam o seu crime, demonstram a consciência de terem agido contra os deveres culturais, sabido que é ser a transgressão da norma penal, antes de mais nada, a transgressão das normas culturais. Ora, se os incriminados, foragindo, denunciam o sentimento de culpa, demonstram, por outro lado, a consciência da vontade. Se não tivessem agido com a colaboração da vontade, a estas horas não estariam arrependidos, mordidos pelo remorso, espavoridos. Os indiciados, pela influência que podem exercer sobre o ânimo das testemunhas, se em liberdade, prejudicarão a instrução criminal e a apuração dos fatos em seus pormenores. Condenados, estaria assegurada de antemão a aplicação da lei penal. E não é só. A custódia preventiva representa, também, uma garantia da ordem pública, a prevenção contra outros delitos, porquanto, tal é a revolta da população, que não seria difícil um atentado à vida de qualquer dos indiciados. A pena cominada na lei é de reclusão e o 'delito é inafiançável'. Estão, assim, preenchidos os requisitos legais para a concessão da medida".
A reportagem prossegue: "Dos mausoléus profanados somente os de Nolenita Gofinho, Aníbel Azevedo, João Jônatas Muniz Moscoso, Honorato José dos Santos e Pedro Carneiro tiveram os ossos retirados e as caveiras lavadas para a farra sinistra. Os outros, embora com as lousas arrebentadas, não tiveram os restos mortais profanados e são os de Ortência Santos, David Saback, Jesuíno da Silva Lima, Miguel Ribeiro de Oliveira, Bernardino Barreiro, Álvaro da Silva Lima, Ladislau Alves Cordeiro, Manuel Antas Parcero, Honorato Alves Caribé e Vicência de Lima e Silva."
E finaliza: "A população de Feira de Santana aguarda confiante a prisão dos profanadores foragidos. 'Não é possível que Feira de Santana passe à história como cenário de tão lamentável acontecimento e estes moços fiquem impunes', dizia-nos um velho morador daquela próspera cidade. 'Basta Lucas da Feira, o grande bandido'."

sábado, 4 de julho de 2020

Morre ator Earl Cameron

Faleceu na sexta-feira o ator inglês Earl Cameron, natural do território das Bermudas, aos 102 anos.
Filmografia
1997 Déjà Vu
1979 Cuba
1976 Maomé - O Mensageiro de Alá
1973 Dezembro Ardente
1973 Scorpio
1970 O Revolucionário
1967 Batalha Debaixo da Terra
1966 The Sandwich Man
1965 007 Contra a Chantagem Atômica
1964 Os Rifles de Batasi
1963 Os Três Desafios de Tarzan
1962 Mentira Infamante
1961 Lá Fora Ruge o Ódio
1960 Tarzan, o Magnífico
1959 A Morte Vem do Kilimanjaro
1959 Safira, a Mulher Sem Alma
1957 A Marca do Gavião
1956 Odongo
1956 A Morte Espreita na Floresta
1955 A Grande Esperança
1955 Simba
1951 Beco do Crime

Fonte: IMDb

Pires & Caneca - Loja on-line


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Você mesmo pode decorar a sua casa. Acreditamos que o seu bom gosto junto a produtos de qualidade e estilo podem transformar cada momento do seu dia.

"Filme Noir Vol. 16"

A Versátil apresenta "Filme Noir Vol. 16", caixa em luva reforçada com três DVDs que reúne seis clássicos do gênero, com as inéditas versões restauradas de "Punhos de Campeão", de Robert Wise, "Maldição", de Fritz Lang, e "O Beijo da Morte", de Henry Hathaway. Duas horas de extras, incluindo "Uma Estranha Aventura" (When Strangers Marry), filme B noir do lendário William Castle. Edição limitada com seis cards.
DISCO 1
PUNHOS DE CAMPEÃO
(The Set-Up) 73 minutos. De Robert Wise, 1949. Com Robert Ryan, Audrey Totter, George Tobias. Acompanhamos em tempo real um decadente boxeador cujo empresário recebe propinas de gângsteres para garantir sua derrota na próxima luta. O maior dos filmes noir de boxe. Comentários em áudio de Robert Wise e Martin Scorsese.
MALDIÇÃO
(House by the River), 88 minutos. De Fritz Lang, 1950. Com Louis Hayward, Lee Bowman, Jane Wyatt.  Um escritor desequilibrado mata uma empregada, após ela resistir ao seu assédio. E, com a ajuda do irmão, esconde o corpo da vítima. Lang mistura magistralmente filme noir de época e gótico sulista nessa pequena obra-prima.
DISCO 2
ANGÚSTIA
(The Locket), 85 minutos. De John Brahm, 1946. Com Robert Mitchum, Laraine Day, Brian Aherne. Pouco antes de seu casamento, o noivo fica sabendo de uma história complicada que retrata sua noiva como uma mulher diabólica e desequilibrada. Labiríntico filme noir psicológico com flashbacks dentro de flashbacks.
A CASA VERMELHA
(The Red House), 100 minutos.
De Delmer Daves, 1947. Com Edward G. Robinson, Lon McCallister, Judith Anderson. Um velho e sua irmã escondem, da filha adotada, um terrível segredo sobre uma abandonada casa de fazenda no meio da floresta. Pérola noir de atmosfera gótica com direção do mestre Delmer Daves.
DISCO 3
O BEIJO DA MORTE
(Kiss of Death), 99 minutos. De Henry Hathaway, 1947. Com Victor Mature, Brian Donlevy, Richard Widmark. Nick Bianco é preso durante um assalto. Inicialmente, ele se recusa a entregar os comparsas, mas um evento mudará tudo… Excelente filme noir realista que marca a estreia de Richard Widmark, indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante.
NA BOCA DO LOBO
(Appointment With Danger),  91 minutos. De Lewis Allen, 1951. Com Alan Ladd, Phyllis Calvert, Paul Stewart.
Ao investigar a morte de um colega de trabalho, um violento inspetor postal descobre que a única testemunha do crime, uma freira, está sendo perseguida por assassinos. Eletrizante e sombrio filme noir com o astro Alan Ladd

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Morre ator Leonardo Villar


Faleceu nesta sexta-feira, 3, o ator paulista Leonardo Villar, aos 96 anos. Ele se destacou logo no primeiro filme, "O Pagador de Promessas" (Foto), filmado em Salvador. Com direção de Anselmo Duarte, o filme foi vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes em 1962.
Filmografia
1968 A Madona de Cedro
1967 O Santo Milagroso
1967 Jogo Perigoso - Segmento "HO"
Fonte: IMDb

Reabertura do Cinema Elite


No jornal noticioso independente e literário "A Flor", edição de 16 de outubro de 1921, registro sobre o Cinema Elite: 
"Este confortável cinema que se achava fechado há mezes, reabre-se-a hoje estreando com a colossal película 'Duas Mulheres', sendo protagonista a linda estrela Norma Talmadge, atriz de grande nomeada.
Por estes dias, será focalizada outra película de grande sucesso intitulada 'Pobre Rica' onde Mary Pickford, atriz de grande apreciação, figura como personagem principal, sendo sempre admirada nem so pela sua beleza como também pelo seu fecundo talento artístico."
Registro resgatado na publicação "Memórias", de Carlos Mello e Carlos Brito, lançada pelo Núcleo de Preservação da Memória Feirense Rollie E. Poppino.
Sobre "Pobre Menina"

Na verdade, o título no Brasil foi "A Pobre Menina Rica" (The Poor Little Rich Girls). Drama com direção de Maurice Tourneur, 1917, traz Mary Pickford, com 25 anos, no papel de uma menina de dez anos, Gwen.
Na trama, a família de Gwen é rica, mas seus pais (Madlaine Traverse e Charles Wellesley) a ignoram e a maioria dos criados a empurra, então ela é solitária e infeliz. Seu pai só se preocupa em ganhar dinheiro e para a mãe só a posição social importa. Mas um dia a irresponsabilidade de um empregado cria uma crise que faz com que todos repensem o que é importante para todos.
Foi vencedor do National Film Registry, do National Film Preservation Board, USA, 1991.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

"Narrativas para a história da imprensa brasileira"


Nelson Varón Cadena anunciando seu novo livro, "Narrativas para a história da imprensa brasileira: Memórias do jornal, revistas, rádio, televisão e outras mídias", em formato e-book
Durante três anos (2008-2011), ele foi o único jornalista do país a escrever regularmente, todas as semanas, artigos sobre a memória da imprensa no Brasil. Publicados, a maioria, no Portal Imprensa, outros no Observatório da Imprensa e, alguns, na Revista Imprensa e no Correio da Bahia. Entre mais de 160 artigos do gênero, ele selecionou 125 que compõem este livro, disponível para compra no Amazon.
"A obra, a primeira de uma trilogia de livros meus, inéditos, que pretendo lançar este ano, em formato e-book, tem prefacio assinado por Luís Guilherme Pontes Tavares", conta, completando que "a maiorias dos artigos são inéditos, baseados em fontes primárias e, outros, trazem novas abordagens sobre o tema."

2 de Julho: Maria Quitéria

Maria Quitéria de Jesus (Feira de Santana, 27 de julho de 1792 - Salvador, 21 de agosto de 1853) foi heroína da Guerra da Independência. A imagem a óleo de Maria Quitéria (Foto: Reprodução), 1,55 x 2,535, obra do italiano Domenico Failutti (1873-1923), foi presenteado pela Câmara Municipal de Cachoeira e integra o acervo do Museu do Ipiranga, em São Paulo-SP, por Decreto da Presidência da República, de 28 de junho de 1996. 
No Gabinete do Prefeito no paço com seu nome, uma réplica do quadro. Maria Quitéria foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A sua imagem encontra-se em todos os quarteis e repartições da Arma, por determinação ministerial, bem como reproduzida em livros de História do Brasil.
Em sua terra tem seu nome em distrito, no Paço Municipal, em uma das principais avenidas, em Colégio Estadual, em monumento, em comenda da Câmara Municipal.
Na revista "Veja", edição de 25 de dezembro de 2011, uma matéria especial sobre História, "50 grandes brasileiros e seu legado", que insere a feirense Maria Quitéria entre os personagens "que ajudaram a construir o Brasil e que ainda inspiram as gerações atuais na tarefa de antecipar o futuro".
Maria Quitéria (1792-1835)
Nascida em São José das Itapororocas, na Bahia, ficou orfã da mãe aos 9 anos e assumiu o comando da casa. Na juventude, montava, caçava, manejava armas de fogo e dançava lundus com os escravos. Em 1822, vestida com a farda do tio, alistou-se nas tropas que lutavam pela causa da independência do Brasil. Adotou o nome do cunhado, soldado Medeiros, e ingressou no Regimento de Artilharia. Mais tarde, foi transferida para o Batalhão dos Periquitos. No combate de Pituba, em fevereiro de 1823, destacou-se por ter feito prisioneiros. Depois da entrada no Exército Libertador, em Salvador, foi condecorada no Rio de Janeiro com a insígnia de Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro pelo imperador dom Pedro I. Retornou à fazenda Serra da Agulha, onde foi aclamada como heroína pela família e pela população local. Casou-se com o lavrador Gabriel Pereira de Brito e teve uma única filha, Luísa da Conceição. Morreu em Salvador, onde vivia de seu soldo de alferes, já quase cega. (Verbete escrito pela historiadora Mary Del Priore)
Como pioneira no desafio ao preconceito de gênero, ficaria impressionada com a participação das mulheres em todas as esferas da vida profissional.
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1. Além de Maria Quitéria, apenas outra personagem mulher, a princesa Isabel.
2. Além de Maria Quitéria, mais quatro baianos entre os 50: Frei Vicente do Salvador, Luís Gama, Rui Barbosa e Anísio Teixeira.

Maria Quitéria de Jesus

Há quase 68 anos, na edição de 21 de fevereiro de 1952 de "Imprensa dos Municípios", a transcrição de artigo assinado por Antonio Manoel de Araújo (09.07.1924-29.07.2006) publicado no semanário "Vanguarda", que se editava em Feira de Santana.
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"Heróis! Como o cedro augusto
Campeia rijo e vetusto
Dos sec'los ao perpassar,
Vós sois os cedros da história
A cuja sombra de glória
Vai-se o Brasil abrigar".
CASTRO ALVES
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"Se um povo existe, ufanoso por haver conquistado de pé a sua independencia, esse foi o povo brasileiro. Não se ajoelhou perante a corte nem beijou os pés dos reis. Assim é a historia da nossa independencia exuberante de lutas bravas e denodadas, de heroismos, cuja dramaticidade, nem a pena sábia dos historiadores, nem a épica dos poemas puderam descrever em toda sua autenticidade.
Diverso, mui diverso daquele brado eloquente, romantico e impulsivo do principe 'às margens placidas do Ipiranga' foi a conquista da nossa independencia. 'Independencia ou morte'. Já na Bahia um brado mais forte que eloquente, mais dramático que romantico, vinha tisnando o solo pátrio com o sangue de bravos. Era a morte pela independencia. 'A pugna imensa travara-se nos cerros da Bahia.'
Foi nessa 'pugna imensa' que surgiu, dentre os bravos, a figura gigantesca de u'a mulher sertaneja; flor do agreste do sertão, levando de Feira de Santana - seu torrão natal - às margens ensanguentadas do Paraguaçu, como chama vivificante aos bravos cachoeiranos todo o fogo de uma alma incandescente de amor à pátria, para ali, da Cachoeira heroica, marchar ombro a ombro com os soldados pela vitória dos nossos direitos que a corte Portuguesa, à passos largos, restringia.
Grande exemplo de coragem! Exemplo de amor à pátria! Profundo e incomparavel amor à pátria, pois foi esse o único sentimento que Maria Quitéria de Jesus levara em seu peito, quando abandonara o lar paterno em defesa de um lar maior - o Brasil! Nenhum outro sentimento conduziria em sua alma de mulher.
Era a ardencia pura e nata do patriotismo.
Um dever de gratidão e justiça impõe-se à geração presente no culto perene dos que a glorificaram no passado - transmitir à gerações provindouras esse culto de veneração para que a pátria possa sempre sentir-se abrigada dos feitos gloriosos dos seus filhos.
Aproxima-se o centenário de morte da grande heroina Maria Quiteria. Movimente-se a Bahia no sentido de celebrar condignamente essa efeméride. Esse movimento valoroso e patrioticamente vanguardeado pelo grande bahiano ministro Simões Filho e apoiado pelo governador do Estado, vem sendo dirigindo pelo poeta, jornalista, educador e historiador bahiano prof. Pereira Reis Junior. Que seja uma grande festa para que a nossa heroina tenha uma glorificação à altura dos louros que lhe ornaram a fronte, constituindo assim, um marco triunfal de uma geração grata e reconhecida!
E nós feirenses, que palmilhamos o mesmo chão que serviu de berço a Maria Quiteria de Jesus e vivemos sob o mesmo céu que testemunhou sua vida heroica, nós feirenses temos um dever mais imperioso e mais sagrado.
Unamo-nos, pois, para que a Feira possa ser grata ao nome aureolado da 'destemida Penthesilea' que, escrevendo em nossa historia a mais bela página de heroismo, tornou-se a joia mais valiosa da nossa gloriosa tradição! E a nossa tradição não seja apenas uma linda historia a acalentar o nosso orgulho e a engalanar a nossa recordação; seja antes de tudo uma forte e gloriosa historia, ligando na distancia dos anos a presença indestrutível e incorrupta da nossa consciencia democratica - fonte perene dos mais elevados anseios de liberdade!"
Observação: Texto transcrito conforme o original

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Feira de Santana também tem fog


Não é só Londres, não.
Amanhecer em Feira de Santana fotografado por Silvio Tito 

Museu Casa do Sertão Celebra 42 anos


Assista ao vídeo
Pioneiro entre os museus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), da sua idealização aos dias atuais, o Museu Casa do Sertão e Centro de Estudos Feirenses completou na terça-feira, 30 de junho, 42 anos de um devir de ações e estratégias a fim de promover a conservação, investigação e comunicação do patrimônio cultural sertanejo. Para comemorar, o público é convidado a conhecer a mais recente produção audiovisual, disponível na Internet (Clique acima)
A proposta aborda a sugestiva narrativa do cordel "Casa do Sertão", de João Crispim Ramos, criado na campanha de arrecadação de fundos para a construção do espaço que hoje abriga o Museu, inaugurado em 1978. A genuína composição, com a devida licença poética, alude um inventário material de potenciais acervos de couro, ferro, barro, madeira, fibra e peculiaridades que deveriam fazer-se presentes na eminente instituição.
Neste resgate, a icônica escrita de Ramos é perpassada por imagens dos espaços e parte do acervo, e registram os resultados materiais da exitosa campanha que tinha por objetivo abrigar do esquecimento, reminiscências de um tempo e de sujeitos históricos. E dessa forma:
"O turista vai então
Dizer pelo mundo inteiro
Que Feira de Santana
Tem algo belo, altaneiro
E que numa casa viu
O Nordeste brasileiro."
A iniciativa atende à vivência com o atual cenário e a necessidade do distanciamento social que projetam ao aniversariante novos desafios para o cumprimento de sua missão museológica, ou seja, fruir e estimular a apropriação de memórias e dos bens culturais sob sua guarda. E segue as recomendações do Instituto Brasileiro de Museus para que instituições de todo o país se façam presentes através do engajamento digital e da ampliação de conteúdo online disponibilizados à população.
 Cultura e Diversidade
A implantação da instituição museológica no Campus Universitário foi resultado do desejo e empenho de membros da comunidade, em especial do Lions Clube de Feira de Santana. A gênese desse aprazível recanto cultural remete a diversificadas fontes de inspiração, como as "Cartas da Serra" em que o jurista e poeta Eurico Alves Boaventura pontuou a importância da institucionalização de aparatos de memórias que proporcionem características e origens da cidade.
Aliado a isso, a militância intelectual de abnegados apoiadores que fomentaram a preocupação em salvaguardar vestígios materiais da cultura popular. Foi considerado um resgate do que se encontrava em franco processo de desuso ou silenciamento, face a dinâmica social.
A heterogeneidade e inventividade do seu acervo, com coleções relacionadas aos artefatos de usos e costumes, de criações artísticas populares e de itens documentais e bibliográficos, fundamentaram uma sistemática interatividade com variados públicos. Ao longo desses anos, o Museu Casa do Sertão tem promovido atividades reflexivas sobre memória e estética sertaneja por meio das exposições permanentes, temporárias e itinerantes, das ações culturais e educativas e apoio às pesquisas relacionadas ao seu acervo.
Acesse também:
Facebook: Museu casa do sertão - Uefs
Instagram: @museu.casa.do.sertao
(Com informações de Everaldo Goes)

Filme noir com citações bíblicas

Dianna Lynn, que faz dois papeis,  e Zachary Scott em "O Insaciável"
Fotos: IMDb

"O Insaciável" (Ruthless), de Edgard G. Ulmer, 1948, é um drama. "Cruel" é a tradução do título original. Integrante do digistrack "Film Noir Vol 13", lançado pela Versátil, trata sobre ambição e ganância pela busca de sucesso. Também sobre amizade e traição. 
Na trama, nos anos 40, em um encontro filantrópico promovido pelo milionário Horace Woodruff Vendig (Zachary Scott), o convidado Vic Lambdin (Louis Hayward) conta a Mallory Flagg (Dianna Lynn) - em flashback - a história do início e do fim de sua amizade com o anfitrião.
Quando eles são meninos, Horace (Bob Anderson) é um pobre filho de pais disfuncionais - Pete Vendig (Raymond Burr) e Kate Vendig (Joyce Arling) e melhor amigo de Vic (Arthur Stonne), que salva a garota rica Martha Burnside (Ann Carter) de se afogar em um rio. Horace é adotado pelo rico casal Burnside (Dennis Hoey e Edith Barrett) e mais tarde enviado para Harvard e fica noivo de Martha (Dianna Lynn, por quem Vic tem interesse.
Quando o ambicioso Horace se encontra com a mais abastada, Susan Duane (Martha Vickers), que pertence a uma família mais influente, ele cancela seu compromisso com Martha e se muda para Nova York. Mais tarde, ele conhece o milionário Buck Mansfield (Sydney Greenstreet) e seduz sua jovem esposa, Christa (Lucille Bremer) para lucrar nos negócios, fato que leva a consequências trágicas.
O filme inicia com a citação bíblica: "Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"
Outras citações bíblicas: Provérbios 31: 10 ("Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis"), e Obadias 1: 2 a 4 (Se te elevares como águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o Senhor.").

terça-feira, 30 de junho de 2020

Morre ator e diretor Carl Reiner


Faleceu na segunda-feira, 29, o ator, diretor, roteirista e produtor americano Carl Reiner (Foto: IMDb), aos 98 anos. Também atuou na televisão.
Filmografia 


Quem inaugurou o Teatro Margarida Ribeiro em 1971


O Teatro Margarida Ribeiro inaugurado em 1971 - situado na rua Carlos Gomes – gravado na memória como uma imagem "ezumada" da cena feirense começou com o espetáculo "Cleóputo", de Antonio Miranda (último agachado). O cartaz foi criado pelo artista plástico Lito.
Foi um espetáculo com várias estórias, interpretadas por Ronaldo Santos (falecido), Getúlio Marinho (falecido), Gilberto Duarte (mora em Salvador), Edson Baptista (mora em Humildes), Alvalice Mércia, Aliomar Simas (falecido), Ideval Alves (mora em Salvador), José Brandão (voltou para Feira depois de trabalhar no Rio de Janeiro), em pé. Geraldo Lima, Alvalinda Márcia, Naron Vasconcelos, Dimas Oliveira, Edna Batista e Maria das Graças, agachados. Mary Barbosa (mora no Rio de Janeiro), que atuou na peça, não aparece na foto.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Quando os filmes voltarão


Por Milena Batista
Em cumprimento a decretos governamentais do Estado e do Município, as salas do Orient Cineplace Boulevard e do CineSercla estão fechadas pelo vírus chinês. São pouco mais de 100 dias sem exibição de filmes
No CineSercla Shopping Avenida, os últimos filmes apresentados foram: "Bloodshot", "Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica", "Sonic - O Filme", e "O Homem Invisível".
No Orient Cineplace, os últimos programas foram os mesmos "Bloodshot", "Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica", "Sonic - O Filme", e "O Homem Invisível", mais "Aprendiz de Espiã", "Solteira Quase Surtando", "A Maldição do Espelho", e "Dolittle".
A medida das empresas encontra-se em vigor com o objetivo de zelar pela saúde e bem-estar de todos os clientes e funcionários.
Com todas as salas de cinema de Feira de Santana - e do país - fechadas desde meados de março devido, pela primeira vez na história, o Brasil passou a registrar faturamento zero de bilheteria.
O cenário para os cinemas é devastador e não se sabe quando as salas voltarão a receber público.
Coluna "Cinema na Cidade", com publicação na edição desta terça-feira, 30, do jornal !Folha do Estado"

Carlos Brito infectado pela Covid-19


O secretário de Planejamento Carlos Brito (Foto: Jorge Magalhães) está internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Emec, infectado pelo coronavírus, uma rápida recuperação. A família informa que ele se encontra estável. A expectativa  é de que ele tenha rápida recuperação.
O internamento ocorreu nesta segunda-feira, 29, quando Carlos Brito, que também é professor  da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), sentiu desconforto respiratório. Memorialista, Carlos Brito tem resgatado fatos do pretérito e disponibilizado ao público através do Núcleo de Preservação da Memória Feirense Rollie E. Popino.
O prefeito Colbert Martins Filho acompanha as informações sobre o secretário. "Ele realmente se encontra em um estado que requer atenção, mas conta com o acompanhamento de uma competente equipe médica. Estamos confiantes de que muito em breve estará de volta às atividades e ao convívio de sua família."
Fonte: Secretária de Comunicação Social