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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

"O PT nos estertores - Parte 1"

Por Pedro Luiz Rodrigues

Dilma era poste, Haddad é capacho?
José Dirceu, que bem tem aproveitado seu tempo fora da penitenciária (adorou o deserto do Jalapão!), está empenhado - com seu jeitão de florentino do século 16 -, a continuar como o grande 'condottiere' do Partido dos Trabalhadores.  Mas há gente nova no PT que se sente incomodada com sua interferência e preferiria vê-lo de volta ao cárcere, o quanto antes!
Essa gente moderna, da era da mídia eletrônica, se acha o máximo e não dá bola a fundamentos. Ocupa-se apenas em produzir slogans a serem repassados, como dogmas religiosos, à amorfa massa de seguidores de vestes avermelhadas, que não tem o hábito do pensamento autônomo. Estes, convencidos de que chegarão ao paraíso se repetirem mantras, à exaustão, insistem inutilmente com seus cânticos de "é golpe, é golpe, é golpe"; "fora temer, fora temer, fora temer!", "ele não, ele não, ele não!".
Essa turma que não aprecia Dirceu parece ser a mesma que conquistou os ouvidos de Lula e do candidato do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, Fernando Haddad, durante a primeira etapa da campanha. A estratégia de fazê-lo apresentar-se ao eleitorado como se fosse o próprio Lula falhou inteiramente. Para os petistas com o mínimo de sentido crítico, ao não se representar a si próprio,  Haddad perde em autenticidade. Dilma ainda representava um poste, mas ficar de boneco de ventríloquo significa o mesmo do que virar capacho.
Há não muito tempo, o candidato derrotado do PDT, Ciro Gomes, já havia dito que a estratégia era errada, e que o candidato Haddad também era a indicação errada, pois para os eleitores o que se apresentava seria uma reedição do desastre Dilma.
Por tudo isso, não surpreende o sofrível desempenho do PT no primeiro turno das eleições. E na minha modesta opinião, que não costuma levar em conta as previsões dos institutos de pesquisa, o segundo turno vai ser totalmente desastroso para a agremiação que no passado remoto já foi honrosa, honrada e gloriosa.
Lula continua a ser o que sempre foi: é o ator, excelente ator,  cheio de pompa; é que  tem cartaz, é quem fica com a fama, mas que não passa de um ator da central de produções populistas do PT.  É capaz de, sem muito esforço, levar a plateia a extremos de emoção.  Em termos de conteúdo, porém, tem muito a desejar. Ele e o PT sabem disso, que Lula de ideólogo ou de estrategista não tem nada, Suas qualidades são as de excelente negociador e orador,  é esperto, sedutor e oportunista.
Mas esperteza não bota a mesa. Toda vez que resolveu dar vôos solos, desprezando a orientação de Dirceu, Lula se arrebentou. Foi o que aconteceu lá atrás, em 2010, quando temeroso de que alguém mais hábil acabasse por lhe bloquear o caminho à reeleição (em 2014), resolveu colocar um poste (uma posta?) como candidato. Escolheu a pessoa com menor habilidade política que conhecia, Dilma Rousseff, e colocou-a como sucessora. Em 2014, Dilma agradeceu mandando uma banana a Lula,  partindo ela mesma, por sua conta e risco, para a disputa que a levaria novamente à Presidência, e o Brasil à desastrosa situação em que ainda hoje está afundado.
Dirceu, que definia as estratégias, as táticas e os passos a serem dados pelo PT, nunca aceitou a rasteira que a estrangeira (não porque fosse de origem búlgara, mas porque vinda do PDT) passou no partido.
Lembro-me que antes mesmo do processo de impeachment de Dilma Rousseff,  Dirceu já havia prenunciado o enterro político da ex-presidente. Num almoço com jornalistas em Brasília, ao qual compareci, ele foi taxativo em relação Dilma: "é uma inepta, incompetente, e danosa para o partido". Lembrei-me dessas declarações no domingo, quando Dilma viu encerrada sua participação na vida política brasileira, depois de tentar tapear o bom povo mineiro com uma candidatura ao Senado Federal.
Pedro Luiz Rodrigues é embaixador e jornalista
Fonte: https://diariodopoder.com.br

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