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quarta-feira, 20 de junho de 2018

A avenida

Por Evandro J. S. Oliveira


Matéria Publicada no jornal "Folha do Norte"
Foto mais antiga que possuo. Reparem que a avenida ainda não era calçada 

O jornal "FOLHA DO NORTE" em editorial no dia domingo 25 de setembro de 1910 contesta a compra de terreno para expansão da rua Senhor dos Passos.   
Administração municipal
Com um pomposo nome de avenida, está a intendencia municipal abrindo uma rua, em prolongamento à rua do Senhor dos Passos, cujo terrenos são propriedade da chácara da viúva Chamberlain, onde reside o sr. intendente municipal.
Quanto ao mais, ninguem sabe.
Quanto, como o por quanto fôra feita a aquisição dos terrenos ha o mais impenetravel sigilo.
De referencia ao assumpto,  apenas o orgão official publicou em 9 de julho, uma lei sancionada a 19 de maio, auctorisando a alludida acquisição sem precisar, porem o quantum a dispender.
Dahi  para cá, como sempre o como tudo que diz respeito às cousas municipais, guarda o orgão official o mais absoluto segredo.
Boatos, entretanto, os mais desfavoraveis, correm ali, de bocca em bocca, dizendo uns se haver dispendido bons pares do contos, outros que custou 10, outros 11 outros 15 e outros 20 contos de reis, uma faixa de terreno que, segundo os entendidos, poderia custar, actualmente, dois ou tres contos, no maximo.
Seja como for, o facto é que nós não podemos deixar de profligar essa falta de publicidade dos actos municipais, de verberar, de condemnar com todas as forças essa transação às occultas, que se quer impingir no povo desta terra, a titulo de serviços e de benemerencia.
A lei n.478 de 30 setembro de 1902, que reorganisou os conselhos municipais, em seu art. 93, das disposições geraes, estatue: "É obrigatoria a publicação, pela imprensa, onde houver, e por edital, sob pena de nulidade, de todos os actos, deliberações, posturas e decisões do conselho municipal, do seu presidente, ou do intendente, nos casos recomendados da lei."
Graças actas das sessões do conselho em que se devia ter tratado do assumpto não foram publicadas, assim como naõ o foi o acto pelo qual devia ter sido aberto o respectivo crédito.
Publicou-se  apenas, mui tardiamente,  uma lei muito omissa e muito falha auctorisando a acquisição dos terrenoso... nada mais!
Um jejum completo para o povo.
E eis que surge a intendencia municipal a rasgar a tal avenida e a leventar muros, tudo isso sem a minima publicidade dos seus actos, sem a menor satisfação ao povo, que afinal de contas, é quem tem de pagar as favas.
Demais, para que este luxo de gastar-se sommas avultadas em avenida , se é que á a tal estradase pode chamar avenida quando a cidade é uma grande esterqueira pela falta quase absoluta de asseio, quando ella vive mergulhada em trevas, com uma illuminação porcamente feita; quando só se houve lamentações e misérias pelas finanças municipaes?
Para que?
Todos sabem a Feira tem actualmente um avultado numero de casas deshabtadas, a sua area urbana não precisa ser alargada para edificaçãoes, pois na própria rua Senhor dos Passos existem ainda terrenos por edificar.
Melhoramentos e serviços outros, demais palpitante e urgente necessidade, estão a reclamar os cuidados e a attenção dos srs. edis.
Ou então, se as arcas de erario muniipal estão assim abarrotadas de oiro, nos dêem, por eus, melhor hygiene, melhor asseio, melhor illuminação, acabem com aquelle estad vergonhoso do matadouro e do açougue, e, se sobrar ainda alguma cousa, desapropriem aqueles casebre em ruinas, na entrada da cidade, que só isto mais administração, mais util, mais approveitavel e mais honesto.
Ah! Se os srs. Da situação nos dissessem, com franquesa, porque esse capricho da abertura daquella avenida!...
Nota: O intendente na época, Abdon Alves de Abreu - 1908 a 1912 - governou Feira de Santana por quatro anos.

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