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sábado, 21 de maio de 2016

A memória registrada nas praças e jardins



Por Gil Mário de Oliveira Menezes
Os monumentos e esculturas marcam e registram fatos históricos relevantes. Em uma comunidade agradecida a cidadãos que trabalharam pelo engrandecimento de sua cidade identificados entre ciclos evolutivos merecem o destaque para servir de exemplo para futuras gerações.
A qualidade de vida perpassa por bons exemplos e reflete na longevidade alcançada nos novos tempos.
Suponho que Feira de Santana teve inicio na "cidade dormitório" ou "entreposto comercial", fenômeno ocorrido em decorrência da comercialização das boiadas vinda do Nordeste para o Sul e vice-versa.
Primeiro os vaqueiros nordestinos encourados a caráter tocando as boiadas nas trilhas em lugar das estradas. Depois o tropeiro abastecendo a comunidade de víveres de primeiras necessidades.
Em monumentos considerados do "Ciclo do Couro", o feirense homenageou os dois heróis com fantásticas esculturas: "O Vaqueiro", localizado no Campo do Gado e o "Tropeiro", implantado no Centro de Abastecimento.
A heroína feirense Maria Quitéria foi contemplada com uma escultura criada por dois artistas, Luiz Humberto de Carvalho e Juraci Dórea, plantada no cruzamento das avenidas Getúlio Vargas e Maria Quitéria - foi temporariamente retirada para a construção de túnel do BRT.
Em 2007, o então prefeito José Ronaldo de Carvalho resolveu homenagear o "Motorista Caminhoneiro" personagem marcante e responsável pela segunda fase da evolução da "Cidade Comercial".
Dos caminhões apelidados de pau-de-arara atá as grandes carretas modernas, dependeu desse incansável profissional para transportar todo tipo de mercadoria necessária para abastecer o crescente comércio elevando Feira de Santana à condição de trigésima terceira maior cidade do país. Momento que fui convidado para realizar a parte artística da homenagem que seria plantada no espaço da praça Jackson do Amaury (Foto: ACM).
O projeto teve a intermediação por parte da Prefeitura Municipal, do arquiteto Arsênio Oliveira e do secretário de Planejamento Carlos Brito, dando apoio institucional à criação artística. 
A ideia de escultura evoluiu para monumento devido às dimensões sugeridas, transpassando sobre as duas pistas que rompem a praça permitindo o tráfego por baixo do monumento. Suas dimensões externas ficaram entre nove metros de altura e quarenta de comprimento nas extremidades longitudinais.
O esboço foi refeito várias vezes até que a forma ideal pudesse representar o personagem homenageado. A ideia básica ascende da abstração formal em decorrência da busca das simbologias representativas de um caminhão e não da realidade acadêmica "fotográfica do caminhão".
Por fim surge a imagem de uma cabine ou "cavalo de força" como módulo de tração de uma carreta executada em concreto armado ligeiramente inclinado para frente como de costume nos exemplares e uma representação da roda ligeiramente oval para induzir o observador ao movimento.
Em seguida foram criadas em aço carbono três vigas em semiarco atravessando as pistas que dariam suporte a outros símbolos do caminhão nordestino, uma faixa vermelha vazada com desenhos múltiplos típicos das carrocerias de madeira dos nossos "paus-de- araras". Finalmente foram encrostados arcos na cor cinza nos formatos utilizados por várias das grandes carretas para permitir melhor aerodinâmica contra o deslocamento do vento devido à forma retangular das cabines.
No ano seguinte, 2008, o prefeito José Ronaldo volta a homenagear outra grande personalidade feirense, Georgina Erismann, autora do Hino a Feira e fui convidado a realizar uma escultura chamada "Liberdade de uma Poetisa", pelas formas de asa alçando voo, registrando a criação mais enaltecida de Georgina quando elaborou o hino a cidade. Está localizada na avenida João Durval Carneiro, em frente ao Boulevard Shopping. E assim os bons exemplos de cidadania vão sendo registrados em Feira de Santana. 
Gil Mário de Oliveira Menezes é artista visual e crítico de arte

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