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quarta-feira, 13 de abril de 2016

"A blitzkrieg discursiva do PT: ecos do Foro de São Paulo e da Internacional Socialista"

Por Saulo de Tarso Manriquez
Respaldados pelas recentes declarações contra o impeachment da presidente Dilma, emitidas pela Internacional Socialista [1] e por parceiros do Foro de São Paulo [2]o PT, juntamente com as suas organizações satélites, com os artistas-Rouanet e outros artistas esquerdistas voluntários, com os intelectuais orgânicos e com os jornalistas oficiais do partido, estão jogando pesado para retomar o controle da narrativa dos fatos.
Para tanto, apelam aos seguintes discursos: 1) todos erram ou são, em algum grau "corruptos"; 2) o PT estaria sendo vítima de uma luta seletiva contra corrupção; 3) os crimes e erros cometidos pelos políticos de outros partidos no passado justificam todos os crimes e erros do PT no presente; 4) a Lava Jato e o impeachment objetivam o fim da CLT, a privatização do pré-sal, a extinção dos direitos e conquistas sociais, a promoção de juros altos para beneficiar banqueiros etc; 5) quem luta contra o PT está lutando contra a democracia.
1 - "Todos erram ou são, em algum grau, 'corruptos'".
Ora, que novidade há nisso? O apóstolo Paulo já indagava e asseverava: "Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma [...] todos estão debaixo do pecado. Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer." (Romanos 3: 9-10). Invocar a corruptibilidade humana para justificar a destruição da Pátria é mais uma amostra da má-fé e da malícia do petismo. Não se pode confundir os pecados e os erros que cada um comete com crimes cometidos em escala nacional que afetam toda a coletividade. É bem verdade que alguns erros e alguns pecados podem ser crimes, mas só alguns. Jogar papel de bala no chão, mandar e receber "nudes" pelo WhatsApp, furar filas, colar nas provas etc., são atos censuráveis e podem ser considerados pecaminosos, mas, via de regra, não são crimes; não são atos que afetam uma nação inteira.
2 - O PT não está sendo vítima de uma luta seletiva contra corrupção.
Na luta contra a corrupção, a Lava Jato, por exemplo, já condenou políticos de outros partidos e poderá condenar membros de partidos tidos como de oposição ao PT. Se as investigações acabam se concentrando no PT é porque, oras, é o partido que governa o país há 14 anos, sendo diretamente responsável pelo o que aconteceu com a Petrobrás e por outras tramoias correlatas.
Quando o assunto é impeachment, o PT também tenta fazer se fazer de vítima de um combate seletivo a corrupção. Não há seletividade alguma aqui. Quem é a presidente afinal? De que partido ela é? O que esperavam os petistas?
Cumpre lembrar ainda que, segundo os petistas e isentões, para falar contra a corrupção para se perpetuar no poder feita pelo comuno-petismo, é preciso antes ou concomitantemente falar também dos casos de corrupção verificados em cada cidade ou Estado da federação, mesmo que isso não afete diretamente a totalidade do país. Não importa se o que faz o governo federal afeta a todos os brasileiros. Sabe aquele empréstimo irregular de um trator feito por aquele prefeito tucano de alguma cidadezinha do interior do Acre? Se você não falar disso antes de criticar o governo federal você estará sendo "seletivo".
3 - "Os crimes e os erros cometidos por políticos de outros partidos no passado justificam todos os crimes e erros do PT no presente."
Quem algum dia já investiu em alguma coisa já deve ter ouvido o jargão das finanças que diz que "rendimentos passados não significam rendimentos futuros". No dialeto petista há um jargão com um significado bastante diferente: "Crimes passados justificam crimes futuros".
4 - DELÍRIO TOTAL: a Lava Jato e o impeachment objetivam o fim da CLT, a privatização do pré-sal, a extinção dos direitos e conquistas sociais, a promoção de juros altos para beneficiar banqueiros, etc.
Quase não mais podendo oferecer fatos e argumentos em defesa do PT, os petistas e os defensores pagos e voluntários do partido tentam aterrorizar o povão com as mentiras mais sórdidas. O mesmo tipo de campanha delinquente foi feita pelo PT em períodos eleitorais.
Nem o juiz Sergio Moro e nem os defensores do impeachment podem ser acusados de terem tais interesses. Essas acusações são apenas mentiras de pessoas desesperadas que não têm mais o que inventar para se garantir no poder.
A única coisa que é sabida, é que integrantes da Fiesp e algumas lideranças impeachmistas propõe um diálogo saudável sobre a possibilidade de diminuir a rigidez das normas trabalhistas, sobre o modo pelo qual são conduzidas as políticas públicas, e sobre a participação da iniciativa privada no pré-sal. NÃO HÁ uma posição fechada sobre esses assuntos entre os defensores do impeachment; NÃO HÁ uma campanha articulada contra os direitos trabalhistas e sociais.
O desespero é tanto que já apelam ao "imperialismo yankee", ao qual Moro e os impeachmistas estariam subordinados. É a velha estratégia de arrumar um inimigo externo para forjar um discurso de unidade nacional em torno do partido governante.
Quanto aos juros, vale lembrar que a redução irresponsável dos juros feita pelo Banco Central em determinados períodos dos desgovernos petistas conduziu o país ao atual caos econômico e financeiro. E quem ouve os petistas falando pensa que temos uma taxa de juros baixíssima, o que é uma mentira (atualmente a taxa Selic é de 14,15% a.a., uma das taxas de juros mais altas do mundo).
E sobre beneficiar banqueiros, deixo aqui dois links:
a) http://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/3603306/dilma-candidata-dos-bancos-instituicoes-nunca-ganharam-tanto-pais
b) http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/08/mesmo-diante-de-crise-lucro-dos-bancos-nao-para-de-crescer.html
5 - "Quem quer o impeachment de Dilma, quem é contra o PT, ou quem, de alguma forma acaba indo de encontro aos interesses do partido, só pode estar lutando contra a democracia, pois democratas são os petistas, oras!"
Anda circulando na rede uma série de vídeos em "defesa da democracia" feitos por "movimentos sociais", artistas agraciados com verbas públicas e artistas de esquerda que prestam serviços gratuitos ao petismo, intelectuais orgânicos e jornalistas oficiais do PT. Mas defesa de qual democracia?
O PT não tem compromisso algum com a democracia representativa, que é o tipo de democracia consagrada na Constituição de 1988.
Para o PT, a democracia não é uma forma de governo vinculada a direitos, a conceitos e a instituições que a informam e das quais depende. O PT entende a democracia como um significante vazio. Quem dá significado à democracia é o partido. Assim, a democracia pode ser qualquer coisa que a nomenklatura queira que seja. Em 2005, quando Lula disse que na Venezuela havia "excesso de democracia", ele estava apenas dizendo que a concepção petista de democracia estava sendo colocada em prática pelo ditador Hugo Chávez.
Desde a redemocratização, nenhum outro partido atentou tanto contra a democracia constitucionalmente delineada (inúmeros os ataques à separação de poderes, inúmeras tentativas de censurar a imprensa, uso de urnas fraudáveis, caixa 2, etc.).
Não obstante, mister lembrar que, na contramão do que o PT finge defender, os governos petistas sempre mostraram prontidão para defender ditaduras socialistas mundo afora e, usando indevidamente o BNDES, financiaram e ainda financiam obras promovidas por ditadores companheiros.
A "defesa da democracia" feita por petistas e mortadeleiros é a defesa do modelo de democracia do PT, é a defesa do que não é democracia.
Ao dizerem que estão defendendo a democracia, as forças petistas tentam fazer colar a ideia mentirosa de que impeachment é "golpe" e, logo, todos os que defendem a saída de Dilma são "golpistas" e inimigos da democracia.
A retórica adotada pelo PT na reta final para a votação do impeachment no Congresso é a mesma adotada pela Internacional Socialista e pelos parceiros do PT no Foro de São Paulo.
Por fim, é importante destacar que a declaração do Foro de São Paulo além de atacar diretamente o impeachment, chamando-o de golpe, acusa de golpista o Poder Judiciário[3], o que, traduzindo, significa acusar juiz Sergio Moro de golpista, num tentativa clara de deslegitimar a Lava Jato.
Notas:


[1] Para mais informações sobre a Reunión del Comité de la Internacional Socialista para América Latina y el Caribe, realizada em Santo Domingo, República Dominicana, entre os dias 1º e 2 de abril de 2016, cf. o seguinte link: http://www.socialistinternational.org/viewArticle.cfm?ArticleID=2430
[2] A declaração também pode ser lida no seguinte link: http://www.pt.org.br/blog-secretarias/declaracao-contra-el-golpe-de-estado-no-al-oscurantismo/
[3] "Expresamos nuestro enérgico rechazo al Golpe de Estado en marcha en Brasil contra el legítimo Gobierno de Dilma Roussef, emprendido por sectores económicos, políticos y del Poder Judicial".
Saulo de Tarso Manriquez é mestre em Direito pela PUC-PR.
Fonte: "Mídia Sem Máscara"

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