Por
Josias de Souza
No início do mandato, Dilma Rousseff achou
que sabia tudo dos aliados. Brincou de faxina com eles. Ao saber mais,
temeu-os. Ao saber ainda mais, escondeu a vassoura. Quando souber demais,
talvez se tranque no armário. Ou no cofre.
Os aliados, por sua vez, manjaram Dilma de
saída. Percebendo-a arredia, permitiram que usufruísse de uma ilusão comum aos
presidentes em início de mandato: a ilusão de que presidem. Refugiaram-se na
política do 'cá te espero.'
Secando a caneta, viriam as emboscadas. A
antecipação do calendário eleitoral abreviou as coisas. Os percalços econômicos
adicionaram sal ao revide. A queda na popularidade trouxe a pimenta.
A penúltima maldade dos aliados chama-se "vetos". Eles procuram pérolas em meio aos mais de 3
mil vetos presidenciais à espera de apreciação no Congresso. Presidente da
Câmara, Henrique Eduardo Alves passou a bola para Renan Calheiros.
"Vou me reunir com o presidente Renan para
discutir esta questão dos vetos, com a definição de critérios e que sejam
compreensíveis. Que não haja precipitação, esperemos a proposta do Renan. Esse
abacaxi quem tem que descascar é ele."
No atual estágio do relacionamento de Dilma
com o Congresso, se alguém pergunta aos aliados se gostam da presidente, muitos
respondem socraticamente: "Comparando com o quê?"
Fonte:
“Blog do Josias”

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