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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Candidatos usam mal a Internet

Trechos da coluna de Cesar Maia na "Folha de S. Paulo", de sábado, 11:
1. A maior frustração dessas eleições é a relação entre o uso da Internet e as decisões de voto. Pelo menos até aqui. Até a pré-campanha, a expectativa era muito grande. A referência sempre reiterada era a eleição de Obama. As principais candidaturas presidenciais se apetrecharam para isso. Dilma e Marina passaram a "tuitar". Foram contratadas equipes para montar sites, blogs, entrar em redes sociais... A primeira baixa foi na coordenação da equipe de Internet de Dilma. O que a campanha esperava da equipe era um bom comportamento, sem criar espuma nem novidade. Mas isso contraria a lógica da Internet.
2. Desfez-se a equipe e sacrificou-se a lógica. A campanha de Marina na Internet é imperceptível. Serra contratou uma equipe que vem procurando abrir espaços com redes, videoentrevistas etc. Porém, talvez pela sensação de riscos em contrariar a linha da campanha presidencial, ainda não despertou curiosidade da imprensa e dos internautas. Por que isso vem ocorrendo? Os analistas se debruçarão no tema após as eleições.
3. Mas se podem adiantar algumas hipóteses. A primeira é quanto ao próprio entendimento da Internet em campanhas eleitorais. Cada internauta é produtor de conteúdo. É assim que entra e participa. Tem a expectativa de que seus contatos sejam interativos, seja por iniciativa do emissor, seja por iniciativa do receptor. À medida que os políticos - ou as equipes montadas só para a campanha - deixam de entender a lógica da interação, passam a pensar e a usar a Internet como um meio de comunicação tradicional. Ou seja: pensa-se como emissor permanente e imaginam-se os receptores como passivos, que apenas recebem e digerem essas informações. À medida que o internauta-eleitor se sente como objeto, deixa de usar esse canal.
4. Uma segunda hipótese, que se agrega à primeira, é o centralismo das campanhas eleitorais em torno do candidato, de seu publicitário-chefe e de seu assessor de imprensa direto. Não entendem e - por isso mesmo - não dão atenção à Internet - e ainda reprimem suas equipes, com temor de saírem da linha e produzirem desgaste à campanha.
5. Finalmente, a visão distorcida de que a Internet se presta mesmo a propaganda negativa. E aí vêm as redes de críticas, informações exageradas e baixarias. Quando um vídeo no YouTube consegue sucesso, é como se esse fosse o resultado. E disso pouco resulta além do entusiasmo.
Faltam três semanas. Não dá mais tempo para corrigir. Perdeu-se essa campanha para desenvolver o uso da Internet em política no Brasil.
Fonte: "Ex-Blog do César Maia"
Postado por Thaís Oliveira

Um comentário:

Mariana disse...

Tudo bem, concordo em parte com Cesar Maia, mas a quinta hipótese também tem sido válida, principalmente quando se trata de petistas.
Outra coisa, Thaís, eu disse certa vez aqui, ainda não é a hora da internet fazer a diferença, quando o nosso povão, a massa mesmo, ainda nem tem acesso à ela. Ainda acho que a maioria votante tem que ser convencida mesmo é ao vivo e a cores, no corpo a corpo. Esta sempre foi a minha visão bem prática sôbre este assunto. Claro, há que se trabalhar mais a respeito prás próximas...quem sabe?